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Segunda, 04 de julho de 2022

AS HISTÓRIAS DOS LEITORES – 11

24 de Set 2021 - 08h:58

O texto de hoje deveria enfocar novos aspectos da Rua Major Prado de outros tempos, mas precisei modificar a ordem em razão dos inúmeros relatos enviados pelos leitores, aos quais agradeço, sinceramente, pela colaboração. Os comentários recebidos envolvem assuntos tratados nas crônicas das últimas semanas. E, de vez em quando, dou mancadas, sim. São enganos involuntários, como foi o caso do Alberto Magno Simões Rodrigues, o popular Betão.

No último dia nove grafei seu nome como Simões Barbosa. Já lhe pedi desculpas pessoalmente, agora o faço por escrito. A razão desse engano ocorreu em relação a uma colega dos tempos de grupo escolar, a hoje senhora Ana Maria Simões Barbosa. Ela costumava recitar – e muito bem – uma poesia que falava sobre a morte de uma mãe que, obviamente, não era a dela. Muitos ficavam com os olhos úmidos, imaginando a cena. Aquilo marcou muito o menino inocente e tímido que estudava no Grupo Escolar Major Prado. Não faz muito tempo revi a colega.

A doutora Célia Regina Martins Romão disse que todos nós, jauenses, somos saudosistas. Sem dúvida, até porque vivemos outros tempos dos quais temos boas lembranças. De lá do Mato Grosso do Sul, onde é Juiz e professor de Direito, Carlos Ismar Baraldi enviou a seguinte trova: “saudades de minha terra/ que tanto me faz lembrar/ de amigos de infância/ da igreja de São Benedito/ que um dia ousei cantar”. A alma do poeta e cantor não deixou o coração do magistrado circunspecto que um dia participou do Festival jauense de Música Popular, que venceu galhardamente com uma composição sua.

Agora vamos voltar no tempo e no espaço. Muitos se lembram da antiga Praça Barão do Rio Branco – acho que ela ainda conserva o nome. Esperamos que ninguém tenha idéia de mudá-la – ou melhor, Praça da Prefeitura, com seu prédio antigo, acanhado. Respeito opiniões contrárias, mas, sem dúvida, precisava ser modernizado. Pois bem, aqui entra uma narrativa do Sérgio de Souza Gomes que contou o seguinte: “muitos casais de namorados contavam com a iluminação deficiente do local e aproveitavam para “namorar”, com a cumplicidade de uma tênue penumbra”. Nada demais. Era até normal e, convenhamos, a intimidade já existia naqueles idos e fazia parte do “reconhecimento” que antecedia o casamento.

Alguns enlaces nem chegavam a se concretizar! Pois bem, é aí que entra a narrativa do Sérgio de Souza Gomes: “os apaixonados que ocupavam os bancos de mármore saíam correndo toda vez que a única viatura policial da cidade passava por ali, com o doutor Emilio Mattar, considerado o terror dos namorados. Tenho outra lembrança daquele local envolvendo meu pai, então servidor da municipalidade.

Foi assim: quando o doutor Osório Neves era o prefeito de Jaú, ele resolveu prestar uma homenagem a Lopes Rodrigues, colocando um busto dentro da praça, acima do espelho d água e fonte luminosa que ali existia. Restava uma dúvida: a estátua deveria ser colocada de frente ou de costas para o pequeno prédio da época. Com essa intenção, determinou que seu chefe de gabinete, Luciano de Almeida Pacheco consultasse os funcionários, que eram poucos.

Chegando a vez de meu pai, este informou: pensem bem, se a estátua ficar de costas, parece que está se lixando para a prefeitura. Se for colocada com a frente para o edifício, dará a impressão que está pouco se importando com o público...”. E a homenagem ficou ali por décadas, até a demolição da antiga construção, quando foi transferida para a praça existente defronte à escola que leva seu nome. Da Bahia distante, onde vive atualmente, doutor Jorge Abdo informou o seguinte: “trabalhei no escritório da empresa Ao Jahu Progride, dos sócios De Luccio & Firetti, antes de meu ingresso na vida cartorária. Datilografei muitas cartas para clientes e fornecedores. Meus chefes eram o Domício dos Santos e a Violeta Lotto...”.

São relatos simples que chegam através de mensagens e cartas reconstituindo “as histórias dos leitores...”.

Meus chefes eram o Domício dos Santos e a Violeta Lotto...”. São relatos simples que chegam através de mensagens e cartas reconstituindo “as histórias dos leitores...”. 

P. Preto é Jornalista. p.preto@hotmail.com.

Texto publicado inicialmente no Comércio do Jahu anos atrás

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