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Terça, 07 de abril de 2020

Bolsonaro pede fim do confinamento e diz que imprensa é culpada pela histeria

Presidente voltou a minimizar a gravidade da doença, questionou o fechamento das escolas e atacou os governadores

25 de Mar 2020 - 08h:18 Créditos: JC/Folhapress
Crédito: Reprodução - Bolsonaro no pronunciamento de terça-feira

Em seu terceiro pronunciamento em rádio e televisão sobre a crise do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar na noite desta terça (24) a gravidade da doença. O presidente pediu para prefeitos e governadores "abandonarem o conceito de terra arrasada", que, para ele, inclui o fechamento do comércio "e o confinamento em massa". "O grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos."

Bolsonaro também atacou a mídia e voltou a criticar governadores. A fala do presidente foi acompanhada por panelaços em algumas cidades do País, pelo oitavo dia seguido. A conduta de Bolsonaro de buscar atenuar a pandemia do coronavírus - já chamada por ele de "gripezinha" - impulsionou esses protestos.

A última vez que o presidente chamou o sistema de rádio e TV para falar à população tinha sido no dia 12 de março, quando ele sugeriu que seus apoiadores não comparecessem a atos de rua planejados para o domingo seguinte, 15 de março. A justificativa era que aglomerações poderiam facilitar a transmissão da Covid-19.

O presidente, no entanto, descumpriu sua própria orientação e, no dia programado para as manifestações, se reuniu com simpatizantes em frente à rampa do Palácio do Planalto. Na ocasião, ele tocou em pessoas, as cumprimentou e tirou posou para selfies.

A nova doença causou até o momento 46 mortes no Brasil. Há 2.201 casos confirmados de coronavírus. O primeiro óbito foi registrado no dia 17 deste mês. Bolsonaro minimizou em diversas ocasiões os impactos da Covid-19 e criticou medidas de restrição de movimento que têm sido adotadas por governadores.

"Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia", afirmou Jair Bolsonaro no dia 17 de março, em entrevista à rádio Tupi.

Outra marca da resposta de Bolsonaro à pandemia tem sido a troca de acusações com governadores, principalmente com João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro.

Ele já se referiu a Doria como "lunático" e acusou Witzel de tomar medidas que extrapolam suas funções, como se o Rio de Janeiro fosse um país independente. Nos últimos dias, no entanto, o presidente tem adotado gestos de moderação e de busca de diálogo com os chefes de Executivo estaduais.

VIDEOCONFERÊNCIA

Embora ainda reitere que ações excessivas de restrição de movimentação não devem ser adotadas, Jair Bolsonaro realizou videoconferências com governadores e lançou um pacote bilionário de ajuda aos entes subnacionais.

Segundo o governo, o conjunto de medidas soma mais de R$ 88 bilhões e inclui a suspensão do pagamento da dívida dos estados com a União e a manutenção de repasses do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios nos níveis de 2019.

Apesar do pacote, governadores do Centro-Oeste e do Sul pediram nesta terça (24) mais medidas a Bolsonaro para auxiliar no combate à pandemia. O argumento é que os estados vivem realidades diferentes e ações como o reforço do Fundo de Participação dos Estadose do Fundo de Participação dos Municípios, embora importantes para o Norte e Nordeste, não contemplam as necessidades dos demais entes federados.

O presidente Jair Bolsonaro ainda deve realizar nesta semana uma teleconferência com os governadores do Sudeste.

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