Menu
Terça, 14 de julho de 2020

Os imigrantes

26 de Mar 2020 - 12h:08

Gosto de abordar temas que envolvam a história da cidade, embora tenha notado que muitos leitores não adeptos desses enfoques. Mas muitos curtem e participam das trocas de ideias. É o caso do amigo e leitor Osvaldo Aparecido Marques que disse o seguinte sobre o último texto, que enfocou a figura dos espanhóis: “Grande tema. Creio que muitos, assim como eu, irão buscar enquadramentos na mistura de tantas nacionalidades. Temos que aceitar nossas origens. Certamente muitos que para cá vieram esperavam encontrar uma situação melhor do que a vivida em seus países de origem. Mas acho que encontraram algo melhor do que tinham, tanto que pouco retornaram aos locais de onde vieram e não era tão fácil como atualmente. De qualquer forma, agradecemos os esforços desses homens e mulheres...”

                                      O jauense Celso Kuntz Navarro, radicado no Rio de Janeiro assim se pronunciou: “... Muito bom seu resgate histórico dos imigrantes e sua contribuição para o crescimento do Brasil em geral e de Jaú em particular. Só não concordo com algumas colocações do jornalista Waldo Claro – que você sempre exalta - e seu viés politicamente socialista, como nas frases “lei agrária extremamente reacionária e elitista, burguesia agrária. Há que se respeitar os pensamentos, usos e costumes da época, senão parece que a elite, naqueles tempos, agia bandidamente, na contramão dos costumes e do bom senso...”

                                      E mais adiante Celso continua expondo seu ponto de vista: “...É exatamente aí que temos de analisar. Os imigrantes que se fixaram, pelo menos em Jaú, aí criaram raízes, prosperaram, cresceram com a cidade, geraram descendentes respeitabilíssimos, pessoas da melhor qualidade. Hoje, os italianos, sírios, libaneses, armênios e até alemães são hoje nomes de rua, bairros e praças na cidade. Se houvesse tanta discriminação, tanta rejeição aos estrangeiros, obviamente nem eles teriam se fixado na cidade...” 

                                      Nas voltemos aos espanhóis que aqui chegaram para trabalhar na lavoura de café. Agricultores natos, tal como os japoneses, eles tinham profundo apego à família e foi sempre com elas que aportaram no Mundo Novo, guardando-a sob severos princípios de religião e moralidade. Segundo o jornalista Waldo Claro, já citado em inúmeros textos, os novos locais de residência não estão especialmente no Brasil. Eles preferiam Cuba ou a Argentina ou até qualquer outro país europeu que lhes oferecessem melhores condições de sobrevivência. Entre 1880 e 1900, por exemplo, chegaram ao Brasil 199.193 espanhóis, o que representa apenas 12% de todo o movimento imigratório. No mesmo período chegam 332.293 portugueses, num total de 20% e 987.160 italianos, que perfazem 59%.

                                      Ainda segundo o insigne jornalista supracitado, é o Brasil e não qualquer outro lugar do Novo Mundo, que oferece ao espanhol empobrecido, as vantagens e desvantagens do contrato subsidiado. E a eles se rendem, impossibilitados de pagarem 10$85000 reis por uma passagem de terceira classe para o Brasil. Assim, no curto espaço de seis anos, entre 1890 e 1896, 150 mil espanhóis embarcam para o Brasil, a maioria deles para trabalhar nas lavouras de café de São Paulo.


Paulo Oscar Ferreira Schwarz

Deixe um comentário