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Terça, 14 de julho de 2020

AONDE FOI PARAR O ROMANTISMO?

28 de Mai 2020 - 10h:48

Diferente e interessante o título, não é mesmo? A ideia deste texto surgiu em uma leitura de troca de mensagens no Face, há algumas semanas.  Quem tocou no assunto foi uma professora primária, merecidamente aposentada, depois de anos de alfabetização. Ela trouxe de volta, principalmente para quem não conhecia ou não se lembrava – isso, claro, para os sessentões e setentões – a letra, em português, da melodia de abertura e fundo do filme “Luzes da ribalta”, uma das grandes obras do mestre Charles Chaplin, lançado em 1953, em tela plana e com fotografia em preto e branco, como convinha na época.

                                      Então vamos lá, graças ao amigo Google. Antes, uma observação: a melodia, para o filme não possuía letra. Em inglês, ela foi criada, quatro anos depois quando Engelbert Humperdinck resolveu gravá-la, com o título de “Eternamente”. O cantor espanhol Júlio Iglesias que, juntamente com o maestro Rafael Ferio, criaram duas versões, uma em português, que ganhou o nome de “Vem”, no final da década de setenta, que teve sucesso relativo, aqui no Brasil e outra, em castelhano, com a denominação original e apoio de grande orquestra e coral. 

                                      Mas, nas páginas do Facebook apareceram algumas divagações sobre o romantismo da letra em português, elaborada ainda na década de cinquenta, aproveitando o êxito do filme, por Carlos Alberto Ferreira Braga, também conhecido pelos apelidos de Braguinha ou João de Barro. O trabalho do ilustre compositor e letrista, vendeu discos de setenta e oito rotações como água, em meados da década de cinquenta, quando o romantismo e a poesia ainda existiam nas músicas que tocavam nas rádios e ela foi sucesso absoluto.


                                       O filme, que a grande maioria conhece, era ambientada na lúgubre Londres de 1914, já no início da primeira guerra mundial, narrando o drama de uma jovem bailarina que tenta se suicidar e é salva por um velho palhaço bêbado, que também sente as dificuldades do meio artístico da época. Eles passam a morar juntos e lutam pelo sucesso das “luzes da ribalta”. No final, a moça consegue mostrar seu talento nos antigos teatros de revista e o convida para uma grande apresentação, ocasião em que ele falece em pleno palco, caindo sobre o bumbo da orquestra, enquanto ela dança triunfalmente. Enredo típico dos velhos e excelentes dramas que o cinema sabia fazer.

                                      Segundo o amigo Geraldo Antonio Rodrigues, em 1953 foram lançadas duas gravações, em português. Uma, para o selo Odeon, com interpretação de Jorge Goulart. Outra, pelo selo Todamérica, com Nora Ney. Então, para os românticos, vamos lá: “Vidas que se acabam a sorrir, luzes que se apagam, nada mais. É sonhar em vão, tentar aos outros iludir, se o que se foi paranós não voltará jamais. Para que chorar o que passou, lamentar perdidas ilusões. Se o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações. Vidas que se acabam a sorrir, luzes que se apagam, nada mais. É sonhar em vão, tentar aos outros iludir. Se o que se foi para nós não voltará jamais. Para que chorar o que passou, lamentar perdidas ilusões. Se o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações? ”

                                      No outro lado do disco do cantor Jorge Goulart foi gravado o tema do filme “Moulin Rouge”, versão de 1952, também em preto e branco. O filme conta a vida romanceada do pintor Toulouse Lautrec. E a letra, em português diz o seguinte: “Se estás junto a mim, razão dos meus sonhos. Pareces vibrar de terna emoção. Porém ao fitar teus olhos tristonhos, pergunto onde está o teu coração. E sentindo que os lábios teus não tem mais o antigo calor, sei que beijas os lábios meus, talvez pensando nos de outro amor. Se estás junto a mim, não deixes tão longe o teu coração...”

                                      Não se trata de saudosismo, não. Mas, confrontando com as composições atuais, algumas bastante esquisitas, com letras que, por vezes beiram o ridículo – nada contra quem gosta, respeito todas as tendências musicais – fico pensando em uma grande e triste realizada: para onde foram as inspirações da grande maioria dos compositores? E o mais importante: “onde foi parar o romantismo?...”


P. Preto é Jornalista.

p.preto@hotmail.com

Paulo Oscar Ferreira Schwarz

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