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Terça, 14 de julho de 2020

Veterano do esporte amador, Palomares completa 96 anos e celebra ao lado do XV de Jaú

Por causa da pandemia, data é celebrada em família, mas não podia faltar bolo e o tema do Galo

29 de Jun 2020 - 21h:28 Créditos: Paulo César Grange
Crédito: .

O tema XV de Jaú ajudou João Pedro Palomares celebrar seus 96 anos. A data foi lembrada em família, mas como é um torcedor quinzeano desde sempre, afinal, nasceu no mesmo ano do clube jauense, Palomares segue firme e forte rumo ao centenário. Dele e do XV. Quer estar junto, torcendo a cada jogo pelo Galo. Ele nasceu em 1924 e é um dos esportistas mais veteranos da cidade. Jogou em clubes do futebol amador, no segundo quadro do XV, disputou campeonato de vôlei, correu provas pedestres... Uma personalidade que merece ser lembrada.

Em 2012, João Pedro Palomares foi um dos destaques da Revista Liga Jauense, que completava 70 anos. Palomares completava 88. Hoje, oito anos depois, vamos relembrar aquela notícia que contou a história deles. O texto original, do jornalista Paulo César Grange (editor desse portal de notícias - Jaumais) está abaixo, como também um fac símile das páginas da revista:


TEXTO DE 2012 NA REVISTA DA LIGA JAUENSE DE FUTEBOL

Palomares volta 70 anos no tempo

Meia-esquerda dos anos 40 e 50 tem títulos no currículo, mas diz que nunca ganhou prêmio como ex-atleta do Amador

Ele nasceu em 29 de junho de 1924, portanto, completa 88 anos em 2012. Quando a Liga Jauense de Futebol era criada 70 anos atrás por um grupo de esportistas jauenses, João Pedro Palomares já corria atrás da bola em Jaú. Ele é um dos poucos jogadores que atuaram nos anos 40 do século passado e que ainda podem relembrar o princípio do amadorismo jauense.

O futebol amador já existia desde antes da criação da entidade, mas foi com a Liga Jauense que ele se desenvolveu. O próprio XV de Jaú já tinha 18 anos de vida quando surgiu a Liga. E logo mostrou sua força, conquistando oito títulos seguidos (1943 a 1950) até se dedicar ao profissionalismo. Palomares chegou a ser convocado algumas vezes para compor o elenco quinzeano.

“Comecei a jogar amador em 1945. Joguei pelo Paulista naquele ano, que tinha um time formado só por carregadores de café. Meu cunhado era o chefão e me colocou para jogar. Eu era molequinho”, relembra, citando confrontos contra o Ypiranga, que tinha como sede um bar na Rua Quintino Bocaiúva. Palomares também jogou pelo Ypiranga, ficando campeão quatro vezes nos anos 50. 

Ele diz que em 1942 e nos anos seguintes chegou a vestir a camisa do segundo quadro do XV de Jaú. Palomares era meia-esquerda, tinha 1m70 e dominava o meio-de-campo. “Ficava tocando a bola no meio, armando jogadas”, conta. “Depois do Ypiranga parei de jogar no Amador e só joguei nos times da várzea.”

De um time do Ypiranga campeão, Palomares diz que só resta ele e Romeu Mira (médico). “Só eu e ele estamos vivos daquele time. Mas tem mais alguns atletas da época por ai, como os irmãos Dino e Lê, outros que vestiram a camisa ipiranguense.


Época? - .”Na época a gente jogava muito nas fazendas, na Barra Mansa, na Vila Ribeiro, nos Grizzo... “, recorda-se, destacando que sempre tinha um grande público acompanhando os jogos amadores. Na cidade eram poucos campos, como do XV de Jaú, do Palmeiras (no colégio dos padres) e do Guarani no Potunduva.

Segundo Palomares, na sua época um confronto de muita rivalidade era entre Ypiranga e América. “Era quem nem Corinthians e Palmeiras hoje”. O ex-meia diz que jogou em todos os times de Jaú, foi campeão por vários, mas nunca ganhou nada para jogar. “Não ganhava nada, tinha até de comprar botina. ‘Malemá’ os times davam a camisa”.


Polivalente – “Joguei com o Mandora, com o João Gostoso, que foram craques no XV. Treinava com eles porque trabalhavam comigo no Jahu Progride”, diz Palomares, que aprendeu o ofício de marceneiro ainda criança, exercendo a profissão até se aposentar.

João Pedro Palomares Júnior, filho do ex-meia esquerda das décadas de 40 e 50 e pesquisador do esporte jauense (XV de Jaú e amador), diz que em 1938, quando seu pai tinha 14, 15 anos, já jogava bola no Campo do Conde, onde hoje está a casa da família, nas proximidades do posto de saúde do bairro de São Benedito e do portal de acesso à fazenda Maria Luiza, propriedade dos Arruda Botelho.

 “No Caiçara joguei até os 85 anos de idade. Era o mais velho em campo. Até colocaram meu nome num campeonato no clube”. Veterano do esporte, Palomares jogou vôlei pela associação da terceira idade de Jaú, viajando sempre para Jogos Regionais e Jogos Abertos do Idoso. Ganhou muitas medalhas, incluindo outros esportes, como palito e bocha. Ele também participou de provas pedestres, incluindo os 10 Km de Jaú de alguns anos atrás.”


Campeão só tomava guaraná

Palomares tem uma coleção de medalhas por jogar vôlei, palito, bocha e futebol de veterano, mas nenhum prêmio em sua trajetória como atleta de futebol amador.  “Como jogador nunca ganhei dinheiro, nunca ganhei nenhum prêmio. Quando era campeão só tomava guaraná. Naquela época não tinha nem churrasco. A gente ia num barzinho na Rua Quintino (Bar do Calixto) e ficava tomando guaraná.. Era assim que o time comemorava”, relembra.

Hoje, ele não vai mais aos jogos amadores, mas faz questão de estar sempre nas partidas do XV de Jaú. Aliás, sobre o Galo da Comarca, ele fala que ficou chateado com o rebaixamento do time. “Foi duro cair. Fiquei muito chateado.  Como pode um time que passou pela primeira divisão ir agora para a quarta divisão? Não foi falha do Zé (Construtor, presidente), que trabalhou bem. O time não deu certo”, lamenta.

Torcedor do Corinthians, João Pedro Palomares é casado com Geni Spoldário Palomares há 63 anos. Ela a conheceu nas imediações do Campo do Conde, onde ambos moravam. Até hoje moram na mesma região. O casal teve dois filhos – Júnior e Regina e tem quatro netos.






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