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Terça, 14 de julho de 2020

“OS INCRÍVEIS ANOS SESSENTA”

30 de Abr 2020 - 12h:12

A ideia deste texto partiu de uma mensagem enviada pela amiga doutora Vera Maria Párice. Trata-se de uma relíquia mostrando um dos populares telejornais do início da década de sessenta, aqueles produzidos pelo frances Jean Manzon, em preto e branco, mostrando a eleição da neta do poeta Coelho Neto como Miss Bahia e um depoimento do então presidente Juscelino Kubistchek falando sobre a inauguração de Brasília.

Obviamente não faremos aqui um enfoque político daquela época que pode ser considerada como a era da libertação feminina, pois no dia 18 de agosto de 1960, na Alemanha, foram colocadas à venda as primeiras pílulas anticoncepcionais o que, evidentemente, suscitou grandes discussões entre as adeptas e os contrários, cada um com seu ponto de vista específico.

Apesar de toda a celeuma provocada e os inflamados artigos de jornais, não foi nada parecido com o que vimos na recente campanha eleitoral. Ainda existia uma coisa chamada respeito às opiniões alheias, o que demonstrava o espírito democrático do povo.

Também em 1960 uma estilista inglesa chamada Mary Quant criou a minissaia, ou seja, uma espécie de vestido com a barra vinte centímetros acima dos joelhos. E nós, homens, principalmente os jovens de então, agradecemos penhoradamente à ilustre senhora. Ela transformava em realidade aquilo que, antes, só era possível na imaginação.

REPRODUÇÃO: https://www.boxbrazil.tv.br/mini-skirts-forever-a-mini-saia-como-simbolo-feminista/

Aqui nesta nossa terrinha pacata, o velho e bom “jardim de cima” ou Praça Siqueira Campos, já havia se transformado em “péla porco”, graças à total ausência de árvores. Mas, defronte a ele, na Rua Lourenço Prado, num sobradinho que ainda está lá, funcionava a já tradicional Sorveteria Pereira, ponto de encontro da moçada, frequentado pelas meninas já adeptas da nova moda.

A gente, claro, arriscava ficar sob os sóis escaldantes à espera das incautas, distraídas ou mais modernas. Então, era só participar das apostas sobre as cores das vestimentas íntimas. Quem acertava, ganhava o sorvete dos demais. E a minissaia que, no início, foi hostilizada por zelosos pais, acabou se perpetuando. Hoje, cinquenta anos depois, ela encurtou muito mais e, apesar de toda a modernidade, ainda continua atraindo olhares. Afinal, as jovens se tornaram bem desinibidas. 

A música foi outro fator preponderante nos movimentos que marcaram a década de sessenta, com o surgimento da chamada “música jovem”, embora essa espécie de movimento tenha começado por volta de 1955 com Little Richard e seu “Tutti Frutti”. O filme de 1956 intitulado “Ao balanço das horas” difundiu o rock and roll. A figura de Elvis Presley também colaborou muito para, inclusive, grandes mudanças no visual masculino. No ano de 1958 a Itália aparecia no cenário internacional através de Domenico Modugno e seu sucesso “Volare”. Começava, então, a trajetória ascendente do repertório dedicado à juventude.  Em 1959 a cantora Cely Campello fez sucesso com “Estúpido Cupido” e, no ano seguinte, Elvis Presley estourou nas paradas com ”Its now or never”, uma versão bem moderna do tradicional “O sole mio”. 

Também começava, já no início da década, o afrouxamento das rédeas que comandavam o comportamento das adolescentes. Antes de tudo isso, elas só podiam comparecer aos bailes acompanhadas dos pais ou severas vizinhas.

A popularização da música dedicada à juventude trouxe o surgimento dos conjuntos dotados dos necessários equipamentos e as brincadeiras dançantes que foram se popularizando a partir de 1965 em diante. Até mesmo as então rígidas freiras do Colégio São José permitiram que suas alunas promovessem e participassem desses encontros dançantes. Em 21 de setembro de 1967, por exemplo, as normalistas do segundo ano realizaram, no Aeroclube, um desses encontros, com a sugestiva denominação “Juventude em Flor”, o que não deixava de ser verdade.

A partir de 1969, as denominadas domingueiras, no horário das oito à meia noite se popularizaram. As moças já saiam sozinhas e iam para casa sem maiores problemas. Aí então as rédeas já estavam soltas. Vivia-se “os incríveis anos sessenta...”.


P. Preto é jornalista.


p.preto@hotmail.com


FOTO: https://www.boxbrazil.tv.br/

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