DENÚNCIAS NA PREFEITURA
Reunião bombástica na Câmara de Jaú escancara “Gabinete Paralelo” e abre caminho para CEI do caso PIX
Todos os detalhes e depoimentos da reunião estão disponíveis na íntegra na internet. A gravação da audiência pública pode ser acessada em link na reportagem do Jaumais

O vereador Mateus Turini foi escolhido para presidir a comissão, com liberdade para indicar relator e secretário. Ele afirmou que, diante das provas já apresentadas, os trabalhos podem ser concluídos em menos da metade dos 120 dias regulares
Em uma das reuniões mais impactantes dos últimos tempos, a Câmara Municipal de Jaú recebeu, nesta segunda-feira (30), personagens-chave envolvidos nas denúncias sobre o chamado “Escândalo do PIX” — um suposto esquema de desvio de dinheiro público para propaganda política e ataques a adversários do prefeito Ivan Cassaro. O encontro, realizado no Salão Nobre e transmitido ao vivo nas redes sociais da Câmara, gerou forte repercussão e culminou na abertura oficial de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os fatos.
A reunião, liderada pela vereadora Daniela Rodrigueiro, contou com a presença do advogado Luís Vicente Federici — que relatou ter recebido ameaças de morte após entrar com ação judicial sobre o caso —, do jornalista Rodrigo Boni e do pizzaiolo Glauber Cardoso, ex-auxiliar direto do prefeito e responsável por dezenas de atas notariais e centenas de áudios que circularam em redes sociais. O secretário de Habitação e Planejamento Urbanístico, Neto Leonelli, também convidado, não compareceu, apesar de citado como um dos articuladores do suposto “Gabinete Paralelo”.
Apenas sete dos 17 vereadores participaram da reunião: Dani Rodrigueiro, Mateus Turini, Fábio Souza, Dr. Paulo de Tarso, Rafaela Hernandez, Tito Coló e Maurílio Moretti. A ausência dos demais foi alvo de críticas da população, que acompanhava a transmissão ao vivo.
CEI DO GABINETE PARALELO
Ao final do encontro, foi formalizado o pedido de abertura da CEI do Gabinete Paralelo, com o objetivo de apurar a existência de uma estrutura clandestina de comunicação dentro da Prefeitura, supostamente financiada com dinheiro público, para beneficiar a reeleição do prefeito em 2024. Foram necessárias cinco assinaturas, obtidas inicialmente por Dani Rodrigueiro, Mateus Turini, Fábio Souza, Dr. Paulo de Tarso e Rafaela Hernandez. A assinatura decisiva veio do vereador Tito Coló, um ex-aliado de Ivan Cassaaro, que declarou: “Quem não deve não teme”.
O vereador Mateus Turini foi escolhido para presidir a comissão, com liberdade para indicar relator e secretário. Ele afirmou que, diante das provas já apresentadas — incluindo áudios, atas notariais e depoimentos —, os trabalhos podem ser concluídos em menos da metade dos 120 dias regulares.
Turini destacou ainda que, mesmo que os pagamentos do suposto esquema tivessem sido realizados com dinheiro particular, já seriam graves, pois não há registro em prestação de contas eleitorais. No entanto, há indícios de uso de recursos públicos, o que agrava ainda mais a situação.

VEREADORES SE OMITEM
A pressão popular cresceu após a divulgação da lista dos vereadores que se recusaram a assinar o pedido da CEI. Postagem nas páginas Central da Notícia, Tem Coisas e site HoraH Notícia trazem as imagens de Carlos Lampião, Magesto, Hercílio Benedicto, Marco Brasil, Maurílio Moretti (apesar de presente na reunião), Fernando Toledo, Rodrigo Ávila Franco, Jefferson Vieira, João Pacheco e Jeferson Roda. Nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, os parlamentares foram duramente criticados por “passarem pano” para o Executivo e ignorarem os sinais de corrupção e desvio de conduta.
O vereador Magesto, por exemplo, tentou justificar sua ausência em um grupo de WhatsApp, mas sua explicação não convenceu. Para muitos, a omissão desses parlamentares representa uma afronta à população que os elegeu e um obstáculo à transparência e à justiça.
TRANSMISSÃO DISPONÍVEL NA INTERNET
Todos os detalhes e depoimentos da reunião estão disponíveis na íntegra na internet. A gravação da audiência pública pode ser acessada neste link: Assista à reunião
A vereadora Dani Rodrigueiro foi categórica ao afirmar que a CEI não é uma sentença prévia, mas uma forma legítima de investigação com direito à ampla defesa. “Precisamos ouvir todos os lados e apresentar um relatório técnico e justo, como manda a lei”, disse.
Com o avanço da CEI do Gabinete Paralelo, cresce a expectativa por novos desdobramentos. E mais: caso as apurações confirmem o uso indevido de dinheiro público, a Câmara poderá instaurar uma Comissão Processante, com poder para cassar o mandato do prefeito Ivan Cassaro. O que antes era apenas ruído nas redes sociais, agora será analisado oficialmente pela Casa de Leis de Jaú.
COM INFORMAÇÕES DE HORAH NOTÍCIA, CENTRAL DA NOTÍCIA, TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM EM JAHU