CÂMARA DE JAHU
Vereadores rejeitam projeto que previa sensor gratuito para crianças e adolescentes com diabetes; críticas nas redes sociais

O assunto ganhou visibilidade após a página Jaú Pra Todos e Região publicou a foto dos vereadores. Os comentários abaixo são basicamente dessa postagem
A rejeição do Projeto de Lei nº 32/2025 pela Câmara Municipal de Jahu provocou forte repercussão entre familiares de pacientes, pessoas com diabetes e moradores da cidade. A proposta, apresentada pelo vereador Dr. Paulo de Tarso, previa o fornecimento gratuito de sensor e aparelho eletrônico para monitoramento da glicemia a crianças e adolescentes que realizam tratamento contínuo da doença na rede pública municipal de saúde.
O projeto foi rejeitado por maioria dos vereadores durante a 21ª Sessão Ordinária de 2026. Votaram contra a matéria os vereadores João Pacheco, Marcos Ribeiro, Sensei Hercílio, Jefferson Roda (Jé Roda), Lampião, Dr. Rodrigo Franco, Maurílio Moretti, Marcos Brasil e Fernando Toledo.
O equipamento citado na proposta, conhecido popularmente como Sensor Libre, permite acompanhar os níveis de glicose sem a necessidade de múltiplas perfurações diárias nos dedos. O dispositivo é considerado um importante aliado para pacientes diabéticos, especialmente crianças e adolescentes, por proporcionar mais conforto, segurança e controle da doença.
Com a rejeição em plenário, o projeto será arquivado. O assunto ganhou visibilidade após a página Jaú Pra Todos e Região publicou a foto dos vereadores. Os comentários abaixo são basicamente dessa postagem (VEJA IMAGEM REPRODUZIDA)

Reação da população
A votação gerou manifestações de indignação nas redes sociais. Entre os comentários publicados após a divulgação do resultado, moradores destacaram as dificuldades enfrentadas diariamente por quem convive com a diabetes.
“Eu gostaria que esses vereadores que votaram contra passassem apenas um dia na pele de um diabético, principalmente o tipo 1, para saber e sentir o que é tomar centenas de picadas”, escreveu Maria Conceição Ramazzini Marchi.
Marcia Marques de Freitas também criticou a decisão. “Se passassem um dia na pele de quem tem diabetes, pensariam com mais seriedade”, comentou.
Já Ederson Simione afirmou esperar que os familiares dos parlamentares jamais precisem utilizar o equipamento. “Tomara que os filhos deles não precisem do uso do aparelho”, escreveu.
As críticas se concentraram principalmente nos vereadores que integram o grupo político que normalmente acompanha as propostas defendidas pelo governo municipal nas votações da Câmara.
Outro projeto também foi rejeitado
Na mesma sessão, os vereadores rejeitaram o Projeto de Lei nº 41/2025, também de autoria do vereador Dr. Paulo de Tarso.
A proposta previa a destinação de 1% dos ingressos de eventos realizados em recintos públicos do município para famílias assistidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
O objetivo era ampliar o acesso de famílias em situação de vulnerabilidade social a atividades culturais, esportivas e de entretenimento promovidas na cidade.
Votaram contra o projeto João Pacheco, Magesto, Marcos Ribeiro, Sensei Hercílio, Jefferson Roda, Lampião, Dr. Rodrigo Franco, Maurílio Moretti, Marcos Brasil e Fernando Toledo.
Com a rejeição em primeira discussão, a matéria também foi arquivada.
Projeto para crianças com TEA avança
Em contraste com as duas propostas rejeitadas, a Câmara aprovou em primeira discussão o Projeto de Lei nº 101/2025, que institui o Programa de Terapia Assistida por Equitação (TATE) para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A iniciativa, também apresentada pelo vereador Dr. Paulo de Tarso, busca regulamentar e incentivar o uso da equitação como ferramenta terapêutica, considerando os benefícios já observados no desenvolvimento da comunicação, socialização e habilidades motoras de crianças autistas.
O projeto recebeu emenda assinada pelo próprio autor e pelos vereadores Fabio Souza, Rafaela Hernandez, Mateus Turini, Dani Rodrigueiro e Tito Coló Neto. Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada em segunda votação, sancionada pelo prefeito e publicada oficialmente.
Votações reacendem debate
As decisões da Câmara reacenderam o debate sobre as prioridades das políticas públicas municipais, especialmente nas áreas da saúde, assistência social e inclusão. Enquanto projetos voltados ao acesso à tecnologia para controle da diabetes e à participação de famílias de baixa renda em eventos públicos foram rejeitados, a proposta voltada ao atendimento terapêutico de crianças com TEA avançou para a próxima etapa de tramitação.
As votações também passaram a ser alvo de discussão entre moradores nas redes sociais, que cobram maior transparência sobre os motivos que levaram os parlamentares a rejeitar determinadas iniciativas consideradas de interesse social.