FERIADO DE 9 DE JULHO

Ato cívico do 9 de Julho integra programação do Festival de Inverno de Jahu

lém da defesa da constitucionalização do país, a revolta também refletia a insatisfação das elites políticas e econômicas paulistas com a perda de influência após a queda da chamada República Velha

Ato cívico do 9 de Julho integra programação do Festival de Inverno de Jahu
Arte da Prefeitura sobre foto da solenidade de 2025
Publicado em 08/07/2026 às 8:36

Além da defesa da constitucionalização do país, a revolta também refletia a insatisfação das elites políticas e econômicas paulistas com a perda de influência após a queda da chamada República Velha

A Prefeitura de Jahu realiza nesta quarta-feira (9), às 9h, em frente ao Monumento ao Soldado Constitucionalista, na Praça da República (Jardim de Baixo), o tradicional ato cívico em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932. A cerimônia faz parte da programação oficial do Festival de Inverno de Jahu e é aberta à participação da população.

Até o fechamento desta reportagem, a administração municipal não havia divulgado detalhes completos sobre a solenidade, como a programação oficial, autoridades convidadas ou corporações participantes. A expectativa é de que o evento conte com a presença do prefeito Ivan Cassaro, secretários municipais, vereadores, representantes da Polícia Militar e integrantes do Tiro de Guerra de Jahu.

Tradicionalmente, celebrações do gênero incluem o hasteamento das bandeiras, execução dos hinos Nacional e Constitucionalista, pronunciamentos de autoridades civis e militares, além de homenagens aos combatentes paulistas que participaram do conflito.

O que foi a Revolução de 1932?

A Revolução Constitucionalista de 1932 é um dos episódios mais marcantes da história paulista. A versão tradicional, difundida em escolas, monumentos e cerimônias oficiais, apresenta o movimento como uma luta pela democracia e pela convocação de uma Assembleia Constituinte, após a ascensão de Getúlio Vargas ao poder com a Revolução de 1930.

De fato, uma das principais bandeiras dos revoltosos era a elaboração de uma nova Constituição para substituir a ordem política rompida por Vargas. O movimento mobilizou milhares de voluntários paulistas e encontrou forte apoio da população do Estado.

No entanto, historiadores apontam que a história é mais complexa do que a narrativa oficial costuma apresentar. Além da defesa da constitucionalização do país, a revolta também refletia a insatisfação das elites políticas e econômicas paulistas com a perda de influência após a queda da chamada República Velha. São Paulo, que exercia enorme poder político na política nacional até 1930, viu sua posição ser reduzida pelo novo governo.

Por isso, muitos estudiosos consideram que o movimento reuniu diferentes interesses: havia grupos genuinamente comprometidos com a retomada da ordem constitucional e das liberdades políticas, mas também setores que desejavam recuperar a autonomia e o protagonismo político do Estado.

Apesar da derrota militar após cerca de três meses de combates, a pressão exercida pelo movimento contribuiu para que Vargas convocasse eleições para a Assembleia Constituinte de 1933, resultando na Constituição de 1934.

Memória e reflexão

Noventa e quatro anos depois, o 9 de Julho continua sendo celebrado como um símbolo da identidade paulista e da defesa da legalidade constitucional. Ao mesmo tempo, a data também convida à reflexão sobre os diferentes interesses políticos presentes naquele período e sobre como a memória histórica é construída ao longo das décadas.

Em Jahu, a cerimônia desta quarta-feira busca preservar a lembrança dos acontecimentos de 1932 e homenagear os homens e mulheres que participaram do conflito, em um dos episódios mais debatidos da história brasileira do século XX.