AMEAÇA AO PREFEITO
Prefeito e vice de Jaú registram boletim de ocorrência em resposta a e-mail com ameaça de morte
As vítimas afirmam que o conjunto de ameaças tem gerado insegurança pessoal, receio de sair de casa e dificuldades no exercício das funções públicas .

Mensagem enviada a canais oficiais detalha possível ataque armado; caso foi formalizado na Polícia Civil e repercute nas redes sociais; Prefeitura divulga nota oficial por volta das 16h
Uma grave ameaça envolvendo o prefeito de Jaú, Jorge Ivan Cassaro, a vice-prefeita Juliana Fabre, além de integrantes da equipe de governo, veio à tona após a circulação de informações nas redes sociais. O caso levou a Prefeitura a registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil, formalizando a denúncia e pedindo investigação sobre a autoria. Paralelo ao B.O, a prefeitura divulgou NOTA OFICIAL por volta das 16h (abaixo).
De acordo com o boletim nº DV8649-1/2026 , a ocorrência foi classificada como ameaça (art. 147) e associação criminosa (art. 288), com autoria ainda desconhecida. O fato teria ocorrido no dia 3 de março de 2026, por meio de um e-mail enviado aos endereços institucionais do gabinete e da comunicação da Prefeitura.
A mensagem, com o título “Já estou contando as balas”, foi encaminhada pelo endereço eletrônico [email protected], desconhecido pelas vítimas. No conteúdo, o autor faz ameaças explícitas de morte e descreve, com riqueza de detalhes, uma suposta ação violenta contra o prefeito, a vice-prefeita, a secretária-adjunta Mikaele Dias do Amaral e o assessor de gabinete Fausto José Ioca.
Trechos do e-mail revelam o tom agressivo e premeditado da ameaça. O autor afirma ter monitorado a rotina dos alvos, citando informações como o tempo de deslocamento dentro do prédio da Prefeitura, características físicas do local e até o número de câmeras de segurança. Em um dos pontos mais alarmantes, descreve um ataque com arma de fogo:
“Três homens, três tiros de 7,62 mm, três cérebros espalhados no carpete do gabinete…”
O texto também menciona o uso de um veículo sem identificação e a possibilidade de impedir qualquer tentativa de fuga, além de intimidar diretamente os envolvidos com frases de cunho pessoal e ofensivo. Em outro trecho, o autor exige que as autoridades deixem os cargos:
“Desliguem a máquina municipal, apaguem os stories, gravem um vídeo chorando pedindo pra sair…”
Segundo o boletim de ocorrência, as vítimas relataram que o episódio não é isolado. Elas afirmam que vêm sofrendo, ao longo do mandato, uma série de pressões, ameaças veladas e ataques sistemáticos que incluem difamações públicas, ações judiciais e tentativas de desestabilização administrativa .

O documento ainda aponta a suspeita de atuação de um grupo organizado com interesses políticos, além de possíveis conexões com episódios recentes na cidade, como investigações em andamento e conflitos envolvendo serviços públicos. Há também menção a intimidações contra testemunhas ligadas a procedimentos investigativos.
Outro ponto destacado no registro é o impacto direto na rotina das autoridades. As vítimas afirmam que o conjunto de ameaças tem gerado insegurança pessoal, receio de sair de casa e dificuldades no exercício das funções públicas .
A formalização do boletim, no entanto, confirma que a administração municipal trata o caso como sério e busca a identificação dos responsáveis. A Polícia Civil deve agora conduzir as investigações, incluindo a análise técnica do e-mail e rastreamento do remetente, para esclarecer a origem da ameaça e verificar se há, de fato, participação de mais pessoas no caso.
NOTA OFICIAL DA PREFEITURA
NOTA OFICIAL
Conforme amplamente divulgado por diversos canais de comunicação, na noite de ontem (23) e ao longo da manhã de hoje (24), o Prefeito Ivan Cassaro, a Vice-Prefeita Juliana Fabre, bem como outros servidores do Gabinete do Prefeito, receberam, no último dia 03 de março, um e-mail contendo ameaças contra suas vidas. O fato foi imediatamente comunicado às autoridades policiais, que, desde então, conduzem as investigações cabíveis. Em razão de se tratar de investigação em curso e visando à preservação da integridade física das autoridades envolvidas, nenhuma informação havia sido divulgada até o recente vazamento, o qual também será objeto de apuração pelas autoridades competentes. O Prefeito e as demais autoridades agradecem as manifestações de apoio recebidas neste momento e solicitam que a população permaneça unida em orações. Reiteramos nossa confiança no trabalho das autoridades policiais, que atuam de forma diligente para a completa elucidação dos fatos.
Histórico do BO (transcrição)
“Comparecem nesta Unidade de Polícia Judiciária as vítimas já qualificadas, informando que, por meio dos e-mails institucionais da Prefeitura do Município de Jaú, quais sejam: [email protected] e [email protected], receberam mensagens contendo ameaças de morte, cujo título aparecia como ‘já estou contando as balas’. O remetente indicado era o endereço eletrônico [email protected], o qual afirmam desconhecer.
Relatam que, em 03 de março, foram surpreendidos com um e-mail direcionado aos citados e-mails, contendo grave ameaça de morte, com detalhes, contra os comunicantes, ou seja, contra o então Prefeito Ivan Cassaro, o assessor de gabinete Fausto Ioca, a secretária adjunta de gabinete Mikaele Dias e a Vice-Prefeita Juliana Fabre, mensagem esta anexada a este Boletim de Ocorrência.
Conforme relatam, as vítimas desejam registrar que além das ameaças explícitas constantes nos emails, vêm sofrendo pressões e ameaças veladas durante todo o mandato – o que tem prejudicado o regular andamento dos trabalhos da administração e gerado temor pessoal aos envolvidos.
Declaram que tais intimidações não se resumem ao e-mail em questão, mas integram um contexto contínuo de ataques, que inclui:
– Ações coordenadas por um grupo organizado, que, além de praticar difamações e injúrias, promove ameaças veladas contra as vítimas e servidores próximos;
– Atuação de indivíduos que teriam interesse político na desestabilização da atual gestão;
– Participação, segundo as vítimas, de jornalistas locais, que frequentemente realizariam publicações com ataques pessoais e ofensivos, citando especificamente o jornal ‘Opinião’, onde teriam sido chamados de ‘estuprador, assassino, estelionatário, porco’, entre outras expressões depreciativas, além da existência de mais de 30 ações judiciais propostas supostamente com o intuito de inviabilizar licitações e o funcionamento regular da Prefeitura.Pontuam ainda que, no âmbito político e investigativo, há situações que consideram relevantes, tais como um procedimento em trâmite na Polícia Federal, no qual – segundo afirmam – opositores teriam prestado declarações falsas e apresentado informações aleatórias, sendo que o andamento do referido procedimento não estaria produzindo os efeitos desejados pelos opositores, gerando, segundo narram, pressões e ameaças contra testemunhas.
Mencionam também que, poucos dias antes do presente registro, Célia Milozo teria sido abordada em um posto de gasolina por indivíduo identificado como Glauber, ocasião em que este teria afirmado que ela deveria ‘tomar cuidado com o que iria falar e com o que poderia acontecer’, fato que, segundo as vítimas, reforça o quadro de intimidação continuada e a atuação de um grupo organizado.
Salientam que tais fatos estariam ligados ao procedimento criminal da Polícia Federal, pois Célia prestaria um depoimento em tal instituição. Que este inquérito foi instaurado por esse grupo.
Acrescentam que não se surpreenderiam caso a investigação identifique vínculos entre o autor das ameaças e pessoas relacionadas à Operação Terra Roxa, a qual, conforme citam, apurou esquema de ‘mensalinho’ entre empresários e vereadores, envolvendo trocas de favores, informações e adulterações de documentos e registros públicos. Da mesma forma, apontam possível conexão com o episódio envolvendo o problema da coleta de lixo na cidade.
As vítimas expressamente mencionam que todas as difamações e inverdades divulgadas contra elas sempre ocorreram ao longo de todo o período de mandato, porém somente faltavam ameaças contra a vida, as quais, segundo relatam, finalmente se concretizaram nesta oportunidade, motivo pelo qual consideram essencial relatar todo o histórico de acontecimentos para fins de registro e investigação.
As vítimas reforçam que o conjunto desses fatos – ameaças explícitas, pressões veladas, difamações públicas, ataques sistemáticos e tentativas de desestabilização administrativa – tem gerado insegurança, receio de sair de casa e dificuldades no exercício de suas funções públicas.
Por tais razões, solicitam a imediata apuração dos fatos, a fim de identificar o(s) responsável(is) e garantir segurança e tranquilidade no desempenho de suas atividades e na vida pessoal.”
⚖️ Encerramento
“Vítima orientada quanto ao prazo decadencial de 06 (seis) meses para o oferecimento de representação criminal em face do autor/investigado na Delegacia de Polícia da área do fato.”



