TRABALHO INFANTIL

Caminhada reforça conscientização sobre o combate ao trabalho infantil em Jaú

Estudos mostram que o trabalho infantil prejudica o desempenho escolar, aumenta as chances de evasão dos estudos e reduz as oportunidades profissionais na vida adulta.

Caminhada reforça conscientização sobre o combate ao trabalho infantil em Jaú
Publicado em 09/06/2026 às 16:37

Estudos mostram que o trabalho infantil prejudica o desempenho escolar, aumenta as chances de evasão dos estudos e reduz as oportunidades profissionais na vida adulta.

Jaú promove na próxima sexta-feira (12), em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, uma caminhada de conscientização que busca chamar a atenção da população para uma realidade que ainda afeta milhões de crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.

A atividade será realizada das 13h às 15h, com saída do Paço Municipal Terra Roxa Prefeito Jarbas Faracco. O percurso seguirá pela Rua Edgard Ferraz até a Praça da República, no Jardim de Baixo, reunindo representantes do poder público, profissionais da rede de proteção à infância e comunidade.

A ação é organizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de Jahu, em parceria com o Comitê do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), e integra uma série de iniciativas voltadas à conscientização sobre a importância de garantir às crianças e adolescentes o direito à educação, ao lazer, à convivência familiar e ao desenvolvimento saudável.

Mais do que uma caminhada simbólica, o evento pretende reforçar a necessidade de vigilância permanente contra situações de exploração infantil e lembrar que o trabalho precoce continua sendo uma violação dos direitos fundamentais da criança e do adolescente.

Trabalho infantil ainda é uma realidade no Brasil

Embora os números tenham apresentado melhora nos últimos anos, o trabalho infantil continua sendo um desafio social importante. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil registrou, em 2023, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, o menor índice da série histórica iniciada em 2016. O número representa uma queda de 14,6% em relação a 2022.

Segundo a legislação brasileira, qualquer forma de trabalho é proibida para menores de 14 anos. Entre 14 e 15 anos, o trabalho é permitido apenas na condição de aprendiz. Já adolescentes de 16 e 17 anos podem trabalhar formalmente, desde que não exerçam atividades perigosas, insalubres ou noturnas.

Apesar da redução dos índices, os dados revelam que centenas de milhares de crianças ainda desempenham atividades inadequadas para sua idade. Em muitos casos, elas atuam na agricultura, no comércio informal, em serviços domésticos ou em ocupações consideradas entre as piores formas de trabalho infantil, aquelas que colocam em risco a saúde, a segurança e o desenvolvimento físico e emocional.

Mudança de realidade ao longo do tempo

Décadas atrás, era comum que crianças trabalhassem ao lado dos pais em propriedades rurais, oficinas, comércios e até em atividades pesadas. Muitas famílias viam o trabalho precoce como uma forma de aprendizado ou de contribuição para a renda doméstica.

Hoje, a compreensão social sobre o tema mudou significativamente. Estudos mostram que o trabalho infantil prejudica o desempenho escolar, aumenta as chances de evasão dos estudos e reduz as oportunidades profissionais na vida adulta. Além disso, expõe crianças e adolescentes a acidentes, doenças ocupacionais e situações de vulnerabilidade social.

A ampliação do acesso à educação, programas de transferência de renda, ações de fiscalização e campanhas de conscientização contribuíram para a queda gradual dos índices ao longo dos anos. Ainda assim, especialistas alertam que o problema permanece presente, especialmente em contextos de pobreza e vulnerabilidade social.

Mobilização da sociedade

O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho, foi criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para mobilizar governos, instituições e a sociedade civil na defesa dos direitos das crianças.

Em Jaú, a caminhada reforça esse compromisso e busca sensibilizar a população sobre a importância de denunciar situações de exploração infantil e apoiar políticas públicas que garantam proteção, educação e oportunidades para crianças e adolescentes.

A mensagem central da mobilização é simples: criança deve estudar, brincar, conviver com a família e se desenvolver plenamente. O trabalho tem seu tempo certo, e proteger a infância é uma responsabilidade de toda a sociedade.